Linhagens e Monarquias




Encontrei o pobre bastardo do Thorin Van Helsing fedendo a bebida e surrado, jogado debaixo de alguns escombros, em sua... É, acho que poderíamos chamar aquilo de “Casa”, se estivéssemos complacentes o bastante.

O garoto sangrava e tinha algumas dezenas de fraturas espalhadas pelo corpo. Seu sangue, no entanto, não me afetava de maneira alguma; de forma que levantei o guri e fiz o favor de jogá-lo embaixo de um chuveiro ligado com água gelada. Ele se contorceu e gemeu. Eu, logicamente, ri.

É impressionante como as pessoas conseguem jogar sobrenomes gloriosos no lixo. Olhem para esse maldito. Ta-ta-tataraneto de um dos humanos mais decentes – Não que isso seja uma qualidade – Que já conheci, e agora vive movido a álcool e prostitutas baratas. Uma completa desgraça. Eu estaria fazendo um favor se o matasse agora mesmo, mas infelizmente preciso dele para continuar com meus desígnios.

Os humanos não sabem - Eles nunca sabem de nada - mas não existem poucos não-vivos. Estamos por aí desde que o mundo é mundo – Alguns, inclusive, literalmente, viram Jesus. BEM de longe, com certeza – E não apenas não somos poucos, como estamos em todos os lugares, também. Programas de TV, Governos, Senados, Liderando multinacionais, você poderia encontrar nosso tipo em qualquer lugar, em quase qualquer momento. Utilizando nossas influências sobrenaturais, se torna ridiculamente fácil manipular o mundo ao nosso redor. Eu, por exemplo, fiz meu primeiro milhão de dólares comprando ações de uma pequena empresa que, mais tarde, viria a dominar o mundo desse negócio que chamam de informática. Tudo tão simples e fácil quanto realizar um rápido ritual babilônico de predição de futuro no quintal de casa, numa fatídica madrugada de domingo. Você deve conhecer essa empresa, ou pelo menos o símbolo dela... – Em minha defesa, eu votei contra a ideia de uma maçã mordida, mas fazer o quê né? Parece ter dado certo com as massas...

Enfim... Influência, dominação, inteligência e manipulação são a minha praia, mas nem todos são como eu. Assim como existem humanos pardos, negros e amarelos; existem também distinções entre os do meu tipo. Existem espécies de “raças”, cada qual com características únicas e peculiares. Por exemplo, todos nós somos mais fortes e rápidos que humanos normais, mas nem todos conseguem derrubar prédios com socos, ou correr tão rápido quanto um fórmula 1. Acompanhando a minha história vocês irão, eventualmente, conhecer a maioria dos tipos de bebedores de sangue que existem - Isto é, se sobreviverem por tempo o suficiente

Um deles esteve aqui, hoje. Os buracos na parede com a forma de um punho e o cheiro de cachorro molhado por água de esgoto estão tão fortes que quase não é necessário ser um Vampiro para poder sentir. Algum deles esteve aqui e fez de tudo para  colocar um fim em Thorin, mas pelo visto o moleque não é um idiota completo. Guardou uma antiga maleta do velho Van Helsing, e soube utilizar algumas bugigangas que deviam estar dentro dela.

Ele está acordando. Corto meu pulso e o deixo beber um pouco do meu sangue, já que isso passa uma ínfima porcentagem dos nossos poderes curativos, até mesmo para os humanos. É quase audível o processo do seu maxilar voltando ao lugar, e, assim que ele para de gritar com a dor, me sussurra aquilo que eu já sabia – Puta merda! Isso foi o príncipe!? Ele está ficando ousado...

Bom, acho que não tenho muito pra onde correr. É hora de acabar com mais uma monarquia - Que saco.


- Comece a me falar, Thorin. Tudo. Desde o começo.
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